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Você se expõe demais nas redes sociais? Especialista comenta e te ajuda a saber

Tudo começa com uma mensagem de bom dia. Depois, uma reclamação sobre o transporte público. Logo mais, vem a foto do prato do almoço, decorada com várias hashtags. Ao fim da tarde, uma selfie despretensiosa, afinal o cabelo está bonito. Na academia, mais um autorretrato para mostrar que o treino foi dureza. Então, finalmente em casa, um post cheio de gratidão, com um clique dos pés em cima do sofá. Ufa, mais um dia normal. Normal? Será que você não está se expondo demais nas redes sociais?

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A internet e, principalmente, as redes sociais deram ao ser humano um poder muito importante: a voz. Quem nunca foi melhor e mais rapidamente atendida em uma reclamação depois de “botar a boca no trombone” por meio de um post no Facebook? Esta capacidade, quando bem utilizada, traz muitos ganhos. Mas, também existem as consequências ruins. “As pessoas se deslumbram com o potencial das redes e perdem um pouco a mão, acabam por não ter um certo filtro e publicam de tudo. Elas se esquecem que a rede é para todos”, avalia a psicanalista Ana Cruz.

Foto: Jupiterimages/PHOTOS.com>>
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Perdendo o bom senso

Este deslumbramento citado pela especialista pode acontecer com qualquer um, independente da geração. Ou seja, você não precisa ter nascido com uma conta no Twitter e um perfil no Facebook para cometer exageros. “A internet proporciona a agilidade. Grandes manifestações sociais e culturais têm proporções maiores em função dela. Você pode desde reencontrar amigos de infância até trocar de informações profissionais”, lembra Ana.

De acordo com a psicanalista, o bom senso se perde quando se posta absolutamente tudo. “Vivemos na era da busca desenfreada pelos 15 minutos de fama. O indivíduo precisa aparecer, e os likes significam muito. É uma maneira de ser visto e de se sentir admirado de alguma maneira”, afirma. Além do excesso de fotos (e suas derivações), há o perigo das tais indiretas, que nada resolvem. “As pessoas criam um roteiro mental e imaginário. Assim, elas fomentam os seus próprios problemas”, considera.

A psicanalista afirma que essa “necessidade de aparecer” é de certa forma alimentada pela mídia. “Todos nós somos narcisistas em diferentes escalas e temos direito a privacidade também. Mas, hoje em dia, até por conta do excesso de reality shows, se tornou normal querer saber da intimidade do outro. E não é assim”, completa.

A ideia de que compartilhar momentos únicos e íntimos se torna algo natural, assim como bisbilhotar a vida do outro. “Você vai a uma festa para curtir ou para ser visto?”, questiona. Além disso, é válido lembrar que, muitas vezes, de maneira ingênua os usuários acabam por expor outras pessoas. “Todos têm direito a preservação da sua vida e imagem. Sem querer, é possível acarretar algum prejuízo para um amigo”, alerta.

Analisando com mais cuidado

No mundo virtual, a mente compra o que os olhos veem. Então, de acordo com a especialista, uma pessoa que é extremamente carente busca nas redes sociais a atenção, o carinho e o acolhimento que não existem ou não foram desenvolvidos em sua realidade de qualquer maneira. “O ser humano se fecha cada vez mais no seu próprio eu e acaba projetando isso no mundo virtual. É preocupante porque você não sabe quem está do outro lado. Tem muita gente que usa perfis falsos e usa as suas fotos de forma ilícita”, conta a psicanalista.

Para ela, a sociedade precisa ir na contramão dessa força. “As pessoas querem atenção e aí postam fotos tomando soro, fazendo check in em hospitais, por exemplo. A diferença entre o remédio e o veneno, é a dose. E a mesma coisa acontece com as redes sociais”, alerta.

Foto: Wavebreakmedia/iStock
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Check list           

Ficou preocupada e na dúvida se você está se expondo demais nas redes? Analise friamente os seus perfis e perceba se você está ou não exagerando com estas dicas da psicanalista Ana Cruz:

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– Se você já acorda pensando no que vai postar é um sinal de alerta. Acordar é um processo inconsciente de elaboração mental do dia, independente da sua vida e de suas ocupações. O sinal se dá no momento em que a maior demanda mental está focada nas redes sociais. Calma, acorde primeiro, as redes sociais são apenas uma parte da sua vida;

– É gostoso e bacana dividir os momentos de alegria, como viagens e festas. A tônica deste compartilhamento, porém, deve ser saudável e se dá na qualidade de material que vai publicar. Deseja dividir apenas ou quer que as pessoas participem?;

– Analise um pouco mais o conteúdo a ser publicado do que a quantidade. A graça das redes está mais no conteúdo do que da quantidade que você posta. O usuário precisa se centrar mais no conteúdo do que na quantidade;

– Tudo o que te incomoda no perfil alheio você pode estar fazendo, sem perceber. Esse fator pode servir como um termômetro. Aquilo que lhe é desagradável pode servir como critério para que você execute em seu processo de análise enquanto usuário. “Temos ações inconscientes e não nos damos conta. Criticamos o outro, mas não cai a ficha de que aquilo é exatamente o que fazemos”, fala a profissional.

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