A indisciplina é, muitas vezes, refletida em comportamentos de enfrentamento,negação e birra FOTO: thinkstock
Conversa de Mãe Vida Prática

Seu filho é indisciplinado? Conheça os motivos e as soluções para o problema

Lidar com a indisciplina das crianças é um desafio para uma boa parcela dos adultos. Em muitos casos, a mudança do comportamento demora a ser percebida, até se tornar, praticamente, insustentável. Por trás disso costuma haver um modelo educativo incorreto. “Na maioria das vezes, a indisciplina acontece quando o filho é contrariado, as suas vontades não são atendidas”, introduz Carine Conte Oliveira, psicopedagoga e diretora do Colégio Renovação, em Indaiatuba, São Paulo. “Na geração atual, os pais têm muito medo de causar frustração ao dizerem não. Isso não é encarado como crescimento, só como uma tristeza ou perda”, ela explica.

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Fazer pirraça ou birra é comum no início da infância FOTO: thinkstock
Fazer pirraça ou birra é comum no início da infância FOTO: thinkstock

A raiz do problema

Assim, quando a criança se depara com uma ordem com a qual não concorda, entra no estado de pirraça, enfrentamento, para deixar bem claro que não está gostando. Carine conta que é por volta dos dois anos que essas crises ganham espaço, pois é quando há maior aprendizagem e percepção de que os objetivos podem ser atingidos. “Com a introdução e o desenvolvimento da oralidade, entre dois e três anos, eles conseguem explicar o que querem e a gente tem a possibilidade de transferir a birra para o diálogo”. Uma vez que se perde esse controle, a situação tende a piorar com o passar do tempo.

Indisciplina em qualquer ambiente

Segundo a profissional, que também é mãe, quem apresenta esse comportamento em casa tem grandes chances de ser assim frente aos professores. Fatores emocionais, inclusive, podem influenciar em tal reflexão. Investigar a causa para tratar a consequência é a melhor solução. “É mais eficiente que você julgar somente pela atitude. Existem questões em que os filhos precisam de um ajuste emocional para atenderem às expectativas. É importante que isso também seja descartado com um psicólogo ou orientador de estudo”. Aversão à determinada matéria, falta de vínculo com o docente, separação ou divórcio dos pais, ansiedade, déficit de atenção, dificuldade de entendimento em aula podem ser motivos que geram a indisciplina, já que afetam diretamente o foco e a concentração em classe.

É preciso dizer não e sustentá-lo, mesmo diante de cara feia FOTO: thinkstock
É preciso dizer não e sustentá-lo, mesmo diante de cara feia FOTO: thinkstock

Avaliando o problema

Quando as queixas da diretoria chegam aos ouvidos dos responsáveis, muitos demonstram incompreensão, incômodo e certa resistência ao fato. Nesse momento, é fundamental dar atenção e entender a instituição educacional. “O que acontece na escola é resolvido dentro dela, porque os pais não estão lá. Porém, as decisões e a postura tomadas devem ser fortalecidas”, comenta. “Se não há concordância, de forma alguma eles podem rebaixar isso na frente dos filhos, pois estarão estimulando que a indisciplina apareça”. Para a psicopedagoga, ser um aluno questionador e crítico é diferente de bagunceiro: “a gente quer que eles argumentem e questionem, mas da maneira e no momento corretos”, enfatiza.

Controlando a indisciplina (ou tentando!)

Como métodos para orientar e educar a meninada, evitando assim a desobediência desde cedo, ela indica os seguintes passos:

Na escola, a indisciplina pode aparecer de várias maneiras e estar relacionada aos motivos emocionais da criança FOTO: thinkstock
Na escola, a indisciplina pode aparecer de várias maneiras e estar relacionada aos motivos emocionais da criança FOTO: thinkstock

Pulso firme

Tenha firmeza na hora de dizer e de sustentar o não. “Essa negação é importante, a gente a chama de castração, para mostrar à criança que nem tudo que ela deseja pode acontecer do seu jeito ou quando quer”, enfatiza. Há de se expor isso de maneira bem direta, sem que um pai desautorize o outro nas medidas colocadas. “Senão ela interpreta que pode negociar (sempre) o acordo na sua zona de conforto”.

Relação de ação e resultado

Em segundo lugar, estabeleça os combinados claramente, e não apenas ameace um castigo sem que de fato o coloque em prática. Uma vez que as ações foram pré-pactuadas, podem ser cobradas depois. Para a garotada mais nova, a especialista aconselha até elaborar um quadro com a relação de obrigações e consequências, e colá-lo na parede do quadro, algum lugar visível. Tarefas como organização da casa, respeito com a família, postura, podem entrar nessa lista.

É importante que as queixas de indisciplina vindas da instituição de ensino não sejam contrariadas na frente das crianças FOTO: thinkstock
É importante que as queixas de indisciplina vindas da instituição de ensino não sejam contrariadas na frente das crianças FOTO: thinkstock

Reforço positivo

A própria aplicação da consequência deve ser realizada de maneira afirmativa. “Porque os pequenos se dão conta de que chamam a atenção na hora negativa”, Carine diz. “E a gente atende, sem perceber”. O ideal é apoiar quando o contrário se sucede, ou seja, quando eles estão adequados nas práticas: chegou no horário marcado, elogia; completou a lição de casa, dá um adesivo de incentivo; teve um gesto bonito, leve para um passeio no parque. “Nunca com compensações materiais, mas posturais, com convivência, contato, afeto. Pela neurociência, nós temos essa necessidade de ter o exemplo, da sensação positiva que vem pelo prazer e não só pelo que é dito”, ressalta.

Não é permissividade, é maior acolhimento

O diálogo é dos caminhos que ajudam a manter uma relação aberta e objetiva. Principalmente na pré-adolescência, em que os períodos de indisciplina também podem ser mais intensos. “Porque eles começam a questionar os valores usados e compará-los com os que os amigos têm, levando aos quadros de contestação”. Estar com o filho, sem deixá-lo muito sozinho nas escolhas e decisões, realça o respeito e diminui as possibilidades de revolta pela banalização comum que há nesse período: como se os adolescentes fossem rebeldes por natureza.

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