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Por conta de bullying, atriz de 17 anos reduz os seios. Especialistas comentam a decisão

Na última semana, a atriz Ariel Winter, conhecida por seu papel na série cômica “Modern Family”, revelou que passou por uma cirurgia de redução de seios por conta do bullying sofrido nas redes sociais e da sexualização imposta à sua imagem pela imprensa. O que chama a atenção é que a garota tem apenas 17 anos.

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“Comecei a me incomodar já que, por ser uma mulher da indústria do cinema, estamos sempre sendo tratadas como objetos. Toda reportagem que tem a ver comigo sempre tem relação com ‘o decote da Ariel’ ou ‘Ariel mostra seios enormes em evento’. É isso que as pessoas sempre reconhecem em mim? Não tem o fato que ‘ela’ fez um bom trabalho em Modern Family”, disse para a revista Glamour norte americana.

Além do sofrimento psicológico, Ariel contou que lutava desde os 15 contra as dores causadas pelo peso das mamas.

Assim como Ariel, muitos adolescentes já se submeteram a procedimentos cirúrgicos por conta da bullying. Foto: ForsterForest/iStock
Assim como Ariel, muitos adolescentes já se submeteram a procedimentos cirúrgicos por conta da bullying. Foto: ForsterForest/iStock

Insatisfação

A atriz não é a primeira e nem será a única jovem a se submeter a um procedimento cirúrgico para modificar algo em sua aparência. De acordo com a cirurgiã plástica Bruna Salvarezza, a chegada de adolescentes insatisfeitos com seu próprio corpo e autoimagem nos consultórios é cada vez mais frequente. “Eles nos procuram quando aquele problema estético influencia nas outras questões da vida, a ponto de não conseguirem se relacionar”, conta.

Especialistas indicam esperar o fim do desenvolvimento físico para que este tipo de decisão seja tomada. “Em alguns casos, a inconformidade estética traz um transtorno tão grande para a criança e adolescente que a intervenção precoce se faz necessária”, fala a médica.

Ela afirma ainda que é importante entender o quanto aquela característica afeta o psicológico do jovem. “O fundamental é procurar um profissional para avaliar o caso de maneira individualizada para que não ocorra a banalização da cirurgia plástica na adolescência. Quando um transtorno está se desenvolvendo, a cirurgia intercede e freia o processo”.

Os pais precisam observar o comportamento para identificar se o descontentamento tem fundamento. Foto: Ryan McVay/Photodisc
Os pais precisam observar o comportamento para identificar se o descontentamento tem fundamento. Foto: Ryan McVay/Photodisc

BULLYING

Em geral, a não-aceitação do próprio corpo é motivada por fatores sociais e pela imposição de padrões de beleza, muitas vezes, longe da realidade dos jovens. De acordo com a psicanalista Ana Cruz, quando o adolescente começa a sinalizar esse descontentamento e o desejo de fazer uma plástica, os pais devem observar. “Não considere e nem deslegitime. Analise em qual contexto ele faz essa afirmação. Se o apontamento é ocasional ou não”.

Se a queixa for repetitiva, Ana sugere que, em primeiro lugar, se busque um psicoterapeuta para analisar o que alimenta o desejo de modificar a aparência. “Todos nós dispomos de recursos psicoemocionais para trabalhar as demandas existentes. Aí, entra a ajuda profissional que identifica onde essas forças estão alocadas, para que elas fortaleçam o sujeito como um todo e a sua autoestima também”, fala.

É muito comum que esse incômodo seja alimentado pelo bullying. “Esse conjunto de atitudes comportamentais é intencionalmente agressivo. Na era da internet e de redes sociais, isso tem se tornado preocupantemente perigoso”, afirma a psicanalista.

Segundo Ana, tanto os jovens que praticam o bullying quanto as vítimas são filhos de uma geração que não sabe lidar com suas emoções e fraquezas. “A agressão e a resposta nada mais são que a forma encontrada pelo adolescente de externar essa dificuldade”, explica.

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De acordo com especialista, a mudança de comportamento após a cirurgia é notória. Foto: nensuria/iStock
De acordo com especialista, a mudança de comportamento após a cirurgia é notória. Foto: nensuria/iStock

Sem arrependimentos

Ainda assim, de acordo com a cirurgiã plástica Bruna Salvarezza, os jovens que operam suas orelhas de abano, os seios e narizes muito grandes, não costumam se arrepender. “Eles voltam muito felizes nas consultas pós-cirúrgicas. Mudam a maneira de se vestir e de encarar a vida. Mandam até recados fofos pelo celular”, observa.

Entretanto, passar pelo procedimento cirúrgico não é garantia de total solução dos problemas. “É interessante dar sequência ao processo terapêutico. O adolescente precisa entender quem é essa pessoa nova para poder seguir a vida de forma equilibrada e saudável”, aconselha Ana Cruz.

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