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Danilo Nuha fala sobre seu livro “Milton Nascimento – Letras, Histórias e Canções”, lançamento da Editora Master Books

Neste domingo (24), a Editora Master Books lança seu mais novo título, “Milton Nascimento – Letras, Histórias e Canções”. Escrito pelo jornalista e diretor artístico Danilo Nuha, que convive com o artista desde 2009, o livro conta a trajetória de Milton Nascimento por meio de composições, manuscritos, documentos pessoais e fotos raras. Para celebrar, o DaquiDali conversou com o autor, que conta um pouco mais sobre o título que promete ser um verdadeiro sucesso.

O livro

A obra reúne mais de 50 composições de Milton Nascimento, entre elas letras emblemáticas como “Coração de Estudante”, “Canção do Sal”, “Pai Grande” e “Morro Velho”, todas acompanhadas de explicações do artista. Dessa contextualização surgem histórias interessantes de sua vida profissional e pessoal, como a da amizade com o astro americano River Phoenix, que começou pela admiração artística e se transformou em ativismo ambiental. Você pode ter acesso a 10 páginas clicando aqui.

Bate-papo com Danilo Nuha

DaquiDali: Como começou a sua relação com Milton Nascimento?

Danilo Nuha: Quando eu tinha por volta de dois anos de idade, minha irmã e o namorado dela colocavam muito Milton para eu ouvir. Passei a infância ouvindo Bituca (apelido do cantor), até que, aos dezesseis anos, fui morar no Japão, onde me deparei com sua obra completa. Ela estava sempre em destaque em todas as lojas de discos e, o mais importante, com preço acessível para o bolso de qualquer trabalhador médio de fábrica. Alguns anos se passaram, voltei ao Brasil, me formei em jornalismo e fui selecionado para voltar ao Japão como correspondente em 2006. Meses depois, estava fazendo uma matéria em Tóquio quando soube que Milton faria dez shows no Blue Note. Era maio de 2007.

O intérprete japonês do meu jornal conseguiu marcar uma entrevista em nome da empresa. Mas com uma condição: a assessoria exigiu que fosse alugado um quarto no Hotel Okura, onde Milton estava hospedado. E quem pagaria a conta? Eu, é claro. O jornal me autorizou a fazer a entrevista, mas os custos eram por minha conta. Chamei dois primos que trabalhavam numa fábrica perto de Hamamatsu, e eles concordaram em rachar comigo. Cadastrei um como fotógrafo e o outro como cinegrafista. Chegamos lá e a produção estranhou um pouco nosso trio, acho que tínhamos cara de tudo, menos de jornalistas. Mas, para nossa sorte, Bituca foi com a nossa cara. E os quinze minutos combinados com o Blue Note viraram quase duas horas de conversa. Passamos dois anos sem contato até que eu recebi um e-mail dele no começo de 2009, quando trabalhava no Beco das Garrafas, em Copacabana (Rio de Janeiro). Respondi minha localização e ele me chamou para uma jam session em sua casa. Depois dessa primeira, apareci em várias outras. Até que, um dia, o produtor dele na época, Paulo Lafayete, me ligou dizendo que ele tinha me convocado para trabalhar na assessoria de imprensa da Nascimento. Isso foi em 2009, e eu continuo lá até hoje.

Danilo Nuha e Milton Nascimento. Foto: reprodução/Instagram @japanuha

De onde surgiu a ideia para este projeto e quando ele começou a tomar forma?

Na entrevista que fiz com Milton em 2007, ele me contou que Gilberto Gil tinha perguntado se ele já tinha prestado atenção nas letras que escrevia. Milton respondeu que não, e Gil questionou como ele tinha coragem de dar suas músicas para outros colocarem letras se o melhor letrista de todos era ele próprio. Aquela história ficou na minha cabeça até que, por simples brincadeira, comecei a escrever em um caderninho todas as letras creditadas a ele, tanto em seus discos como nas demais gravações. E o mais maluco disso tudo é que, quando fui chamado para trabalhar com ele, já tinha o livro todo pronto. Foram quase oito anos com o livro na gaveta, tentei várias editoras, até que apareceu essa chance de lançar pela Master Books. Desde 2010, sou muito fã das publicações da editora. Sempre que via um livro dela em algum lugar, pensava: “Nossa, bem que esse livro do Bituca podia sair pela Master Books”.

O livro reúne mais de 50 composições de Milton. Você tem uma favorita ou que considere pessoalmente mais marcante?

Este livro tem algumas letras que, na minha opinião, definem as fases da carreira do Milton. “Barulho de Trem” é o começo. Depois vem “Canção do Sal”, que é a saída definitiva da música fora dos ares de Belo Horizonte [o artista iniciou sua carreira em Minas Gerais, onde viveu boa parte da vida]. Então temos “Testamento” e “Que Bom Amigo”, marcando bem os anos 1970. Nos anos 1980, Bituca define aquele momento político brasileiro no imaginário popular com “Coração de Estudante”, até que chegam os anos 1990 e, já consolidado com uma carreira internacional que atravessa os anos 2000, continua escrevendo e leva dois Grammys com letras inteiramente dele: “A Festa” e “Tristesse”. Você percebe a força de Bituca não só na música, mas também na poesia.

Danilo Nuha com o livro. Foto: reprodução/Instagram @japanuha

O que foi mais bacana e mais desafiador neste projeto?

Depois do livro pronto, a parte mais interessante foi quando tive acesso ao acervo de Bituca, com fotos, cartas e documentos. Infelizmente não pudemos publicar tudo devido a autorizações necessárias para cada item. E isto eu acho que foi o mais difícil: a parte burocrática da produção. Muitas fotos raras, dos anos 1960 aos anos 1990, não puderam ser selecionadas por falta de identificação dos autores. Mesmo assim, conseguimos reunir um material riquíssimo (e nunca visto antes) de sua carreira.

Milton descreveu a obra como um dos marcos de sua nova fase. Como você vê este livro?

Acho que preenchemos uma lacuna. Os fãs e estudiosos da obra de Bituca agora também vão poder prestar atenção ao Bituca poeta. Este foi o nosso objetivo, reunir as letras de Milton num só volume, contextualizando ao leitor o máximo possível através de fotos e documentos.

Convite para o lançamento

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