Foto: RomarioIen/istock
Saúde Vida Prática

Cuidado! Crianças e adolescentes também podem sofrer esgotamento

Hoje em dia, o que mais se ouve é que não dá para ficar parado, tem que correr atrás, não dormir no ponto, e por aí vai. Com esse pensamento, muitos pais enchem os filhos de atividades extras e eles acabam com uma agenda tão intensa quanto a de um adulto. Mas isso é saudável? Faz bem? Eles são novos e por isso aguentam?

Bom, a resposta é não. “O cérebro da criança e do adolescente precisa de espaço e tempo para processar e transformar sua vivência em conhecimento, organizar na memória todas as experiências e aprendizados que vivem. Quando há um excesso de atividades com frequência, o cérebro não tem tempo de fazer esse trabalho”, explica Roberta Bento, especialista em Aprendizagem Baseada no Funcionamento do Cérebro pelas Universidades da Califórnia e Duke, e em Aprendizagem Cooperativa pelas Universidades de Minnesota e San Diego, nos Estados Unidos e co-autora do site “Socorro, meu filho não estuda!“.

+ Ana Canosa revela as frases machistas que devem ser abolidas da criação dos filhos
+ Devo ensinar meu filho a reagir ao bullying? Psicóloga conta como agir
+ Separação dos pais: como abordar esse assunto com os filhos? Especialista responde

Foto: maximkabb/istock
Irritação e até agressividade são consequências dessa sobrecarga pelo excesso de atividades extras. Foto: maximkabb/istock

Como isso os afeta

Existe no cérebro uma área chamada “memória de curto prazo”, e se ela está sempre ocupada, não há espaço aberto para novos conhecimentos. “Isso os deixa irritados, às vezes agressivos até, e claro, essa emoção impacta no aprendizado. A criança tem queda no desempenho escolar e não sente vontade de interagir com outros, o que na maioria das vezes é erroneamente interpretado como déficit de atenção, ou recomendado procurar neurologistas, quando na verdade ela só precisa de um tempo para organizar cada conhecimento adquirido. No caso do adolescente, isso se repete, mas ainda tem o agravante da explosão hormonal comum da fase. Além de tudo, ainda tem a tecnologia, que o faz ficar conectado o tempo todo, o que já torna a capacidade de concentração menor”, afirma Roberta.

Ao longo do tempo, o cérebro fica viciado nesse excesso de atividade, “e daí forma-se um adulto que nunca se satisfaz, está sempre buscando algo novo, sofre com a ansiedade e tem dificuldade de se encontrar pessoal e profissionalmente”, alerta a profissional.

Foto: Anna_Om/istock
O pequeno precisa brincar, ter tempo livre para poder formar conexões cerebrais saudáveis. Foto: Anna_Om/istock

Achando o equilíbrio

Quantas horas precisam ser ocupadas com atividades e quantas têm que ser livres? De acordo com a especialista, “o ponto de equilíbrio está em garantir que o filho tenha uma noite completa de sono (no mínimo oito horas), uma responsabilidade compartilhada dentro de casa (guardar o brinquedo, arrumar a cama, etc.), ter uma atividade física regular, e todos os dias estudar pelo menos um pouquinho do que viu na escola. Fora isso, o resto do tempo é para ele brincar, ver TV, encontrar os amigos, etc. O ócio ajuda a desenvolver a criatividade, o cérebro fica em segundo plano organizando tudo o que ele aprendeu aquele dia”.

Foto: yacobchuk/istock
Avaliar a situação com a criança mas deixar que ela tome decisões é superimportante nessa hora. Foto: yacobchuk/istock

Como tratar o esgotamento

Em primeiro lugar, só cortar atividades não é suficiente, afinal a ideia é achar um meio-termo. “Os pais podem avaliar junto com o filho a relação custo-benefício de cada atividade, mas deixe que ele escolha a que quer manter para sentir que tomou uma decisão apoiada por vocês. Lembre-o ainda que não precisa ser definitivo, que  pode retomar depois, caso não tenha se identificado com a atividade escolhida anteriormente. As chances dele não se arrepender da escolha que fez são muito maiores se ele souber que pode mudar”, diz Roberta.

Ela ainda complementa: “acrescente também uma tarefa dentro de casa, pois é aí que se desenvolve o senso de responsabilidade e a capacidade de foco. Mesmo que não tenha saído perfeito, elogie o esforço e não o resultado, isso é um combustível para a autoestima dele, que confiante, passa a desenvolver melhor, pois se sente útil”.

Advertisement

Enquetes

enquete

Qual assunto você mais gosta de ver na newsletter do DaquiDali?

Carregando ... Carregando ...