Violência sexual contra mulheres ainda é bastante presente na sociedade FOTO: thinkstock
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30 milhões de mulheres já sofreram violência sexual, mostra pesquisa inédita

Segundo um levantamento recente realizado em 70 cidades brasileiras com mil pessoas pelo Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Locomotiva (com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres e da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha), 39% das mulheres já sofreram violência sexual. Sim, os dados ainda continuam chocantes, e um demonstrativo de que uma mudança se faz realmente necessária na sociedade.

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Causas apontadas

Conforme as conclusões, ao se fazer uma projeção em âmbito nacional, é possível estimar que a estatística corresponda a 30 milhões de casos. A impunidade, de acordo com 75% do público feminino e 77% do masculino, foi destacada como a principal razão para que um homem cometa tal crime.

A naturalização nesse sentido também foi configurada como fator motivador: 11% afirmaram, abertamente, ter experimentado alguma forma de agressão sexual, enquanto que 39% confirmaram o fato quando mostradas a uma lista de situações pertinentes a essa classificação. No que diz respeito aos homens, apenas 2% deles admitiram ter cometido violência ao serem questionados. Os números subiram para 18% diante da mesma apresentação da relação de circunstâncias.

Para boa parte das pessoas, quem presencia um ato de violência sexual e fica calado também é culpado FOTO: thinkstock
Para boa parte das pessoas, quem presencia um ato de violência sexual e fica calado também é culpado FOTO: thinkstock

Diferentes situações de violência

Os entrevistados consideraram como praxes associadas ao tema as seguintes ocorrências:

96% – praticar algum ato sexual com um homem sob ameaça
94% – ser “encoxada” ou ter seu corpo tocado sem a sua autorização
93% – praticar algum ato sexual sem consciência
96% – ser forçada a praticar algum ato sexual com um superior
96% – ser forçada a fazer sexo sem vontade
92% – ser beijada a força

Questão de segurança pública

No ambiente da segurança pública, não acontece nada com um homem que se encontra no papel de agressor para 52% dos participantes; 28% afirmaram que as mulheres que denunciam são tidas como culpadas; 54% consideraram que elas não são levadas a sério ao prestarem a queixa; e 73% tiveram certeza de que são sempre julgadas nessa situação.

Espontaneamente, 37% relataram conhecer alguma mulher que já tenha sido vítima; e, 55% declararam ter presenciado ou ficado sabendo de algum evento. Nove de dez indivíduos da amostra apontaram que quem presencia ou tem conhecimento de um estupro e permanece calado também é culpado; 54% colocaram que procurar uma justificativa para tal ofensiva é responsabilizar quem a sofreu.

Visão da população

Mídia foi apontada com uma das grandes culpadas por reforçar comportamentos desrespeitosos contra mulher FOTO: thinkstock
Mídia foi apontada com uma das grandes culpadas por reforçar comportamentos desrespeitosos contra mulher FOTO: thinkstock

Na percepção da população, 49% constataram que a maior parte dos ataques acontece dentro de casa, sendo que 64% concordaram que, muitas vezes, o estuprador é um colega de escola ou trabalho.

Na questão das políticas públicas, a maioria esmagadora, 96%, aprovou a administração da pílula do dia seguinte à menina e à mulher estupradas; 75%, ainda, defendeu o aborto legal frente à conjuntura, previsto no Código Penal mas que, em muitas vezes, é negado por médicos que alegam posições morais ou religiosas.

Para o caso das relações consentidas, 78% das mulheres e 74% dos homens afirmaram que é uma violência sexual ter relação sem preservativo porque o parceiro simplesmente não o aceita.

A mídia, para 74%, é quem reforça comportamentos impróprios com as mulheres; 96% compactuaram com a realidade de que é preciso ensinar os homens a respeitá-las e não elas a terem medo.

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