Você toma remédios para dormir? Conheça os perigos dessa prática

Especialista responde se eles viciam e lista indutores naturais do sono

18 de abril de 2017 - por Marcell Filgueiras
Foto: puhhha/istock

Correria, cansaço e estresse fazem parte do dia a dia e podem culminar em um mal que afeta pessoas no mundo todo: a insônia. Para combatê-la, muitos lançam mão do uso de remédios para dormir, o que não seria um problema, se fossem prescritos por um médico, e não tomados deliberadamente. Conheça os perigos desse tipo de uso, entenda como podem causar dependência e saiba como induzir o sono de modo natural.

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A insônia é um dos principais motivos para começar a tomar remédios para dormir. Foto: vizualni/istock

Para começar, é importante entender que o grave aqui não é tomar o remédio para dormir, mas sim, fazê-lo de qualquer jeito. “É o que chamamos descontraidamente de ‘vizinhoterapia’: o vizinho usa, ele mesmo prescreve com quantidade e tudo, e a pessoa segue essas instruções. Só que os organismos são diferentes , e essa automedicação pode, além de agravar algo que você já tenha e não saiba, piorar outros problemas do sono”, alerta a Dra. Anna Karla Alves Smith, neurologista e médica do Instituto do Sono.

Causam dependência?

Segundo a médica do sono, eles classificam-se em “diazepínicos (que são os mais fortes e populares), não diazepínicos e antidepressivos ansiolíticos, que também são bons para induzir o sono”. A família do primeiro grupo, por ser mais intensa, é a com maior capacidade de causar dependência física: “o indivíduo começa a querer usar cada vez mais quando o corpo entende que aquilo é bom. Ele se acostuma e desenvolve uma tolerância, fabricando assim mais receptores para receber uma dose elevada desses remédios. E aí que a quantidade vai sendo aumentada”.

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Uma vez que a pessoa esteja dependente, não é fácil largar esse hábito. Foto: nensuria/istock

Cada organismo responde de um jeito, mas em geral, o excesso causa sonolência, estado de sedação, e a pessoa pode até cair em lugares inoportunos, por conta da amplificação do efeito. Se o uso for recomendado e supervisionado pelo especialista, dá para controlar melhor. E, apesar de todos poderem causar dependência, há alguns que não são tão fortes (que usualmente os profissionais preferem receitar e também não são tão conhecidos). “Os mais fortes só são indicados em caso de doenças do sono crônicas como, por exemplo, uma grave insônia, ou mesmo a transitória (aí receitam-se os não diazepínicos). Os médicos possuem esse cuidado porque a retirada da dependência não é nada fácil. A abstinência pode trazer sintomas como náuseas, insônia, mal-estar geral, irritabilidade e dores de cabeça”, explica a neurologista.

É hora do tratamento

Para se livrar da dependência, a Dra. Anna esclarece que um dos principais recursos “é a terapia cognitiva comportamental, um método de psicoterapia voltado para insônia, que treina o paciente para ter hábitos de como dormir melhor. Outros meios são acupuntura, uso de medicação, relaxamentos, atividades físicas e até remédios fitoterápicos”.

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Evitar eletrônicos e um bom banho relaxante podem te ajudar a induzir o sono naturalmente. Foto: AndreyPopov/istock

Sofre de insônia e quer dicas para induzir o sono naturalmente? A médica do sono lista soluções:

– Faça atividades físicas até no máximo às 20h;
– Pratique algo relaxante (não adianta ser um livro se a história é empolgante);
– Tome um cházinho de cidreira, camomila, maracujá ou um leite quente;
– Tome um bom banho, também ajuda a relaxar;
– Opte por um ambiente escuro, confortável, com temperatura adequada e pouco barulho;
– Evite eletrônicos. A luminosidade de computadores, tablets e celulares rouba o pico da melatonina, hormônio natural que induz o sono.

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