Foto: altrendo-images/istock
Comportamento Conversa de Mãe Mulher

Seu filho sofre de ansiedade? Saiba os possíveis motivos e o que fazer!

A ansiedade é uma das principais características da sociedade atual. Quando ela se manifesta em um adulto, este tem muito mais autonomia e experiência para tentar resolver o problema. Mas e quando ela ataca uma criança? “Se torna um transtorno quando impede o indivíduo de se mover, escrever, pensar, jogar, fazer aquilo que ele deveria fazer”, explica o psicólogo José Luiz Balestrini. É ele que revela as possíveis causas e como lidar com essa delicada situação.

Segundo o profissional, a criança tem uma dificuldade maior em relatar o que está acontecendo com ela. “Raramente ela irá chegar para os pais e falar ‘estou ansiosa’. Normalmente ela irá mostrar isso através de seu comportamento, comendo demais, dizendo que está com medo, através dos sintomas físicos. Nunca ache que é ‘frescura’ ou ‘querendo chamar a atenção’. E mais, é importante ressaltar que somente um profissional de saúde, um psicólogo ou um psiquiatra, pode diagnosticar com certa exatidão se a criança realmente sofre de um transtorno de ansiedade”.

+ Jogo da Baleia Azul: psicóloga te ajuda a identificar sinais de que seu filho pode estar envolvido
+ Devo ensinar meu filho a reagir ao bullying? Psicóloga conta como agir
+ Seu filho desdenha das suas broncas? Psicóloga te ajuda a virar o jogo

Alguns sintomas comuns da ansiedade infantil

Alimentação exagerada e desequilibrada
O alimento pode ser utilizado como uma tentativa de saciar a ansiedade. “Quando comemos, nos sentimos plenos, ‘cheios’. Isso pode ajudar a diminuir a ansiedade, mas pode virar uma bola de neve. A criança vai querer comer mais e mais em busca dessa falsa sensação de plenitude”, afirma José Luiz.

Foto: Wavebreakmedia/istock
É importante entender se a preocupação da criança não é por um problema seu, e não do universo dela. Foto: Wavebreakmedia/istock

Preocupação excessiva
A criança começa a se preocupar demais com a escola, com sua saúde e a de membros da família, “e muitas vezes com problemas que, teoricamente, não dizem respeito a ela. Se perceber que seu filho está se preocupando com questões que você deveria cuidar, preste bastante atenção no quanto está transferindo suas preocupações para ele”, alerta o especialista.

Sintomas físicos
Fique alerta se a criança reclamar de “dores musculares, dores de estômago, cansaço constante, dores de cabeça e muita tensão muscular”, lembra Balestrini.

Foto: Poike/istock
A internet em excesso não só isola como confunde a criança, fzendo com que ela se sinta melhor em um mundo onde tudo é mais possível, o virtual. Foto: Poike/istock

Internet demais
Na opinião do psicólogo, “a internet é a maior causa de ansiedade dos dias de hoje. Não sou contra, o problema todo é o exagero. Se seus filhos passam tempo demais na internet, pode ter certeza de que isso irá resultar em ansiedade e pode até se manifestar num transtorno depressivo no futuro. Ela passa horas num mundo em que possui praticamente superpoderes para se ver, de repente, em um mundo onde esses poderes não valem. É preciso respeitar o tempo dos outros, é preciso andar, correr, se movimentar para chegar em algum lugar, é preciso desenvolver habilidades para se viver em sociedade. A vida não é apenas virtual, e se a criança não aprender isso desde cedo irá se tornar cada vez mais ansiosa.

Como lidar?

Converse com seu filho

É extremamente importante dialogar com a criança, mesmo que ela não consiga se expressar diretamente e claramente através das palavras. “Converse com ela, pergunte o que a incomoda, e o mais importante, deixe que ela responda com calma e no seu próprio tempo. Tenha paciência, não espere que ela vá lhe contar tudo o que a incomoda em uma única conversa. Muitas vezes ela irá se expressar de outra maneira: brincando, jogando, através de desenhos, algumas vezes até querendo ouvir histórias, contos de fadas ou assistindo a filmes e desenhos infantis”, diz o profissional.

Foto: yacobchuk/istock
Brincar, ler e conversar com seu pequeno são atitudes simples que podem protegê-lo ou curá-lo desse mal. Foto: yacobchuk/istock

Brinque com ele

Esqueça o vídeo game, o foco aqui são os jogos infantis, como de tabuleiro, esconde-esconde, etc. “Se a criança não tiver tempo e espaço para exercer sua infância, imaginar, brincar e fantasiar, essa energia irá se transformar e pode virar ansiedade. Mesmo que ela tenha amigos para isso, é importante que os pais participem dessas brincadeiras algumas vezes, para o bem delas”, alerta José Luiz.

Leia para o pequeno

Você lê para ou com os seus filhos? “Deixe-os escolher livros que sejam do interesse deles (condizente com a idade, claro). E não precisam ser horas. Vinte, trinta minutos, duas a três vezes por semana são suficientes. Lendo, a criança está aprendendo coisas novas! Não estará só construindo vocabulário, mas também aprendendo sobre situações da vida, comparando coisas com suas próprias experiências, entendendo que as pessoas passam por situações similares no dia a dia. Obviamente, isso será gradual conforme eles crescem: começamos lendo para eles, depois deixamos que eles leiam para nós, e quando maiores, estaremos lendo juntos”, esclarece o expert.

Foto: KatarzynaBialasie/istock
Se voê não se sente preparada para lidar com tudo sozinha, busque ajuda profissional. Tudo pelo bem da criança. Foto: KatarzynaBialasie/istock

Busque ajuda profissional

Se você notar que seus filhos estão ansiosos demais, “o primeiro passo é olhar para si, fazer uma auto avaliação, observar como você está agindo na educação (não somente no sentido racional, mas principalmente no sentido emocional) dos seus filhos. A ansiedade exagerada, como transtorno, não deve ser tomada levianamente. Não tenha vergonha de procurar ajuda, para você e para seus filhos”, diz Balestrini.

Aposte nas artes marciais

Segundo o psicólogo, é comum ouvir falar que a arte marcial ajuda muito as crianças no seu desenvolvimento emocional, na disciplina, na concentração e em muitos outros aspectos. “Eu, como também professor de artes marciais há mais de 15 anos, posso dizer que isso é verdade, se a didática ensinar valores como respeito, disciplina, equilíbrio. Isso irá ajudar muito na diminuição da ansiedade da criança”.