É preciso se informar a se preparar para a amamentação/ Thinkstock
Conversa de Mãe Mulher

Guia da amamentação revela os problemas mais comuns e como resolvê-los

Amamentar proporciona momentos inesquecíveis e a construção de um vínculo cheio de amor com o bebê, além de todos os benefícios para a saúde e para a imunidade do pequeno. Mas, ainda que seja um processo natural, nem sempre é fácil e, com frequência, traz alguns desafios que podem ser difíceis de serem superados.

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Para Cristiana Pradel, consultora de aleitamento, isso se dá, principalmente, porque nós, mulheres, estamos desconectadas do nosso corpo: “Conhecemos pouco o nosso corpo e, além disso, é comum, durante a gravidez, que a mulher se prepare para receber o bebê, monte o quarto e o enxoval, mas esqueça de se informar sobre a amamentação“. Um exemplo disso, segundo a consultora, é que muitas mães são orientadas a não praticar a livre-demanda, método de aleitamento que prevê oferecer o seio ao bebê a qualquer pedido – algo já recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde.

Cristina diz, ainda, que é preciso se lembrar de que bebês choram, e nem sempre é por fome – eles estranham o novo ambiente em que estão inseridos. “As pessoas em volta às vezes não ajudam e, como veem a criança chorar, aconselham a mãe a desistir da amamentação e dar a fórmula”, fala. Assim, antes de desanimar, procure uma consultora de aleitamento ou o banco de leite mais próximo, que deve oferecer uma equipe para fazer esse tipo de atendimento.

E, para garantir que você esteja preparada para esta grande e prazerosa jornada, aqui vão os cinco problemas mais frequentes associados à amamentação:

A regularização da produção de leite na medida ideal para o bebê, nem mais nem menos, gera angústia/ Thinkstock
A regularização da produção de leite na medida ideal para o bebê, nem mais nem menos, gera angústia/ Thinkstock

Lidar com a apojadura

Cristiana explica que apojadura é o momento em que o leite materno desce para o seio, cerca de 2 a 3 dias depois do parto. “O peito dói, fica bem cheio e a pega do bebê fica prejudicada. É como se ele tentasse abocanhar uma maçã com a boca sem dentes”, diz. Como o bico fica enrijecido, pode sofrer fissuras no momento em que a criança tenta mamar. Contudo, para resolver, não adianta tirar todo o leite, é preciso cuidado: “O corpo vai produzir mais leite se você tirar tudo. Deve-se, então, fazer uma ordenha de alívio, deixar o bico do seio mole e aí amamentar o bebê”. Em cerca de 2 a 4 dias, a produção de leite se equilibra à necessidade, e o seio não fica mais tão cheio.

Achar que tem pouco leite

Este segundo momento do aleitamento também gera angústias. Cristiana explica: “Quando o leite deixa de jorrar, a mulher acha que não pode mais amamentar“. Antes de se desesperar, é preciso compreender que a base para a produção do leite materno é o sangue, um artigo muito nobre para haver desperdício. Além disso, 80% do leite que o bebê ingere é produzido durante a própria mamada, então achar que o seio está murcho não é garantia de que não haja leite. A consultora lembra, ainda, que a capacidade de alimentação do recém-nascido é pequena: “Com uma semana, ele tem o estômago do tamanho de uma noz, portanto vai mamar várias vezes ao dia mesmo”. Ela dá uma dica essencial: “Confie no seu leite e na sua capacidade de amamentar. Estudos dizem que até mulheres em campos de concentração tinham leite para seus bebês”.

Fissuras

São as feridinhas que se instalam no mamilo por conta da amamentação. Segundo Cristiana, a maioria se dá por conta de uma pega errada. Para acertar nesse encaixe, o bebê deve estar com a boca bem aberta, o bico todo dentro da boca e encaixado de forma que o líquido saia no começo do palato mole – a parte mole do céu da boca. O recém-nascido também deve pegar parte da auréola do seio e quase encostar o nariz no seio da mãe. “Uma grande prova de que ele está mamando é ver que ele faz o movimento de engolir e que mama, mama, mama e depois para um pouquinho, descansando”. Caso tenha fissuras, além de ajustar a pega, Cristiana recomenda deixar o seio exposto, com o sutiã aberto, e tomar sol, que ajuda a fortalecer a pele.

A qualquer problema, deve-se procurar uma consultora de aleitamento, a profissional especializada em amamentação/ Thinkstock
A qualquer problema, deve-se procurar uma consultora de aleitamento, a profissional especializada em amamentação/ Thinkstock

Mastite

Uma fissura que não é tratada corretamente pode se tornar uma porta para a entrada de bactérias e a instalação de uma infecção, que é a mastite. “Os principais sintomas são febre, sentir uma parte do seio quente e dor”, explica Cristiana. Nesse caso, é preciso procurar um médico – o ginecologista que atendeu você no parto ou o pediatra da criança – porque pode ser necessário tomar antibióticos no tratamento.

Obstrução

O líquido que sai do seio passa por 10 a 12 dutos. Às vezes, parte do leite mais gorduroso pode ficar preso em um dos dutos, como uma espécie de rolha, é a chamada obstrução. Para driblar o problema, Cristiana aconselha massagear bem o ponto e amamentar o bebê em posições variadas. Outra dica importante é praticar o “shake”, uma espécie de sacudida do seio, que ajuda a misturar o leite mais ralo, do início da mamada, com o mais gorduroso, do final. Caso o problema se agrave, mais uma vez, recomenda-se procurar uma consultora de aleitamento.