Não é de hoje que a ditadura da magreza, imposta inicialmente pela indústria da moda e espalhada pela mídia, vem sendo questionada. Também pudera, a maioria das mulheres em nada se parece com as modelos ultramagras vistas em desfiles e editoriais de lingerie. A ascensão na mídia de estrelas com biotipo mais cheinho reforça ainda mais o debate sobre o velho e desgastado padrão de beleza manequim 36. A cantora Adele é a principal nome deste movimento. Depois de conquistar o mundo com sua voz poderosa e emplacar hits como “Someone Like You” e a agitadinha “Rolling in the Deep”, a inglesa se transformou na nova musa das mulheres reais. Sua identificação com esse público é tamanha que uma capa estrelada por Adele causou revolta e polêmica em todo mundo: a cantora aparece digitalmente mais magra na revista “Vogue” americana, uma das publicações mais relevantes do mundo fashion.
Apesar do momento constrangedor, não é a primeira vez que ela ilustra a primeira página de uma revista de moda. Em outubro de 2011, a britânica brilhou na capa da edição inglesa da Vogue.
Na onda da tendência das gordinhas, a edição francesa da revista Elle coloca em evidência em sua edição de março a modelo plus size Tara Lynn. O editorial que recheia a publicação anuncia a moça como "o corpo" e mostra Tara exibindo suas curvas como ideais. Uma mudança radical para publicações que durante anos exibiram tops esqueléticas vestindo as principais grifes do mundo.
Fluvia Lacerda é a representante brasileira das modelos gostosonas. Conhecida como a "Gisele Bündchen" do plus size, Fluvia veste manequim 48 e trabalha há 13 anos no mercado de moda para tamanhos grandes em Nova York. Sinal de que lá fora o conceito de que gordinhas também têm muita beleza para mostrar está mais consolidado do que em terras brasileiras. No entanto, o Brasil dá sinais de mudança. Lojas de varejo como C&A e Renner já possuem em suas araras peças descoladas que vão até o número 54.
Se a recente valorização do excesso de gostosura é passageira, não dá para saber. O jeito é torcer para que o mercado e as grandes grifes tomem consciência de que o verdadeiro padrão de beleza não existe e que é necessário exercitar um novo olhar sobre os diversos tipos de biotipos.
Larissa Saram
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